sábado, 15 de junho de 2013

CENTRO DE ENSINO MÉDIO 02 DE PLANALTINA-DF REALIZA COM SUCESSO SEU SEGUNDO SARAU.

Sarau de Estudantes agita UnB em Planaltina

Foi realizado no auditório da Universidade de Brasília, na manhã de sexta, 14 de junho, o 2º SARAU LITERÁRIO DO CENTRO DE ENSINO MÉDIO 02 (Centro 2), em Planaltina-DF. O evento contou com mais de 40 alunos-poetas com um público de centenas de pessoas entre pais, estudantes e professores, que lotaram o auditório e abrilhantaram as atividades culturais apresentadas por meio de música e recitais lindíssimos. 

O evento foi organizado pela Professora Magna Lopes, titular da Cadeira de Língua Portuguesa, que ficou um bimestre inteiro dedicando-se a ensinar os alunos sobre o Romantismo na Literatura Brasileira do século XIX. Fizeram uso da palavra os escritores e professores Xiko Mendes, Wilson Osmar de Jesus e Joésio Menezes, ambos representando a Academia Planaltinense de Letras, além da Diretora, Professora Sonara, que também se posicionou diante de tão magnífico evento parabenizando os alunos de sua escola pela bela e bem-sucedida iniciativa cultural.

O cerimonial foi apresentado pelos professores Karley (Filosofia) e Beth Lustosa (História) que entusiasmaram as pessoas durante todo o evento, pois a cada nova apresentação surgiam os alegres e talentosos alunos do Centro 2 num show de criatividade emocionante. Nós da APL agradecemos o convite com o qual fomos honrados e nos colocamos sempre à disposição das escolas públicas e particulares de Planaltina que queiram fazer parcerias conosco.


quarta-feira, 12 de junho de 2013



UM CONCEITO DE CIDADE

por Adenir Oliveira

A cidade se apresenta para nós como um conjunto integrado entre o espaço físico e suas atividades, valendo dizer: a moradia, o local de trabalho, o lazer, o sistema político, administrativo, econômico, etc., existentes nela e em seus prolongamentos. Os fatores intelectuais, políticos, religiosos, não são menos importantes que o fator econômico. Ora um, ora outro, ora simultaneamente podem ser vistos como tendo um efeito no desenvolvimento da cidade. Na verdade, as situações mais difíceis para análise são aquelas onde atuam diversos fatores em conjunto, frequentemente ao lado das condições internas e externas da própria cidade. Ainda é tarefa própria da análise da cidade: evidenciar as condições específicas sob as quais cada um dos possíveis fatores — ou vários, em conjunto influenciam realmente o seu curso de desenvolvimento. Vemos, assim, que os valores não são elementos a sarem descartados, nem mesmo a serem analisados isoladamente, a fim de se manterem separados do material empírico (físico), porém, elementos sempre presentes e manifestos, que permeiam a análise empírica de ponta a ponta.
Para melhor clareza observa-se que nem as condições em que se efetuam a produção, nem as relações geradas pela troca, são puramente instrumentais. São condições humanas e relações humanas que são valorizadas tanto quanto e, em certos casos, mais fortemente, que o consumo como fim. Nem, naturalmente, ao consumo simplesmente um fim dado. Por isso, acredita-se que a cidade é mais que um elemento. São vários atuando como força para sua existência no tempo e no espaço. Acredita-se, ainda, ser a cidade um organismo vivo de ações, reações e realizações do homem, entendida desta forma como todas as forças internas e externas geradoras deste organismo vivo e dinâmico.
O processo de conhecimento da cidade é ele próprio um estudo do aspecto humano, histórico, social, político, econômico, psicológico, etc., isto implica que ao estudar a vida humana, há identidade parcial entre o sujeito (homem) e objeto (cidade). Sendo o comportamento um fato total, as tentativas de separar seus aspectos “material” e “espiritual” não podem ser, no melhor das hipóteses, senão abstrações metodológicas, sempre implicando grande perigo para seu conhecimento efetivo.
É, pois, a transformação do natural no cultural, mais própria às necessidades da recriação de um espaço físico e da adaptação da paisagem às verdadeiras atividades de quem a utiliza ao longo do tempo. É, ainda, a expressão do coletivo através do mecanismo psicofísico.
Todo lugar, qualquer que seja sua dimensão ou localização no espaço, é um setor fisicamente urbano no qual estão situados edifícios e demais equipamentos - instrumentos que as pessoas utilizam para realizar suas atividades e aspirações, que são relacionados e dependentes entre si, assim como os situados entre outras localidades. Cada espaço físico urbanizado está rodeado por um território não urbanizado com predominância rural, o que impossibilita o estudo da cidade fora do seu contexto regional.
A cidade é um subsistema de um sistema maior. Mesmo assim, deixa-se bem claro que a cidade não é algo isolado e inerte: é, antes de tudo, o ambiente natural do homem livre e ainda permanece válido na medida em que o indivíduo encontra nas possibilidades, nas diversidades de interesses e tarefas e na vasta cooperação inconsciente da vida citadina a oportunidade de escolher sua vocação própria e desenvolver seus talentos individuais peculiares.
"É o palco da representação humana"

(Planaltina em Letras, Ano III, nº 11, p.2, janeiro/março-2013)



domingo, 2 de junho de 2013



WILSON OSMAR DE JESUS
Cadeira XXXVII

            Filho ilustre de Brasília, Wilson Osmar de Jesus nasceu a 17 de outubro de 1969 e desde menino começou a mostrar seu interesse literário e o seu talento para a poesia, o que o fez - ainda nos bancos da escola - se destacar dos demais colegas da mesma faixa etária.
            Querido pelos colegas de classe e pelos professores, o filho de Dona Maria Bernardina de Jesus enveredou não só pelos caminhos da literatura, mas também pelo da Educação: formou-se em Letras/Tradução pela Universidade Estadual do Goiás - UEG (antiga Faculdade de Educação, Ciências e Letras Ilmosa Saad Fayad, em Formosa-GO), onde mais tarde fez pós-graduação em Língua Portuguesa e Literaturas Brasileira e Portuguesa. Hoje, bacharel em Direito, Wilson é professor da Secretaria de Estado de Educação do DF, Revisor de Textos da Revista Nova Oportunidade.
            Como escritor, Wilson é autor dos livros Sonhos e Contradições (2000), A Capela dos Espíritos Viventes (2002), Uma Crítica Sobre a Eutanásia e A Porteira das Sombras do Depois; além de textos publicados na antologia Fragmentos de Formosa.
Empossado em 23/02/2012, Wilson Osmar de Jesus ocupa a cadeira nº 37 da APL, que tem como patrono o jurista brasileiro Hely Lopes Meirelles.

domingo, 28 de abril de 2013

XIKO MENDES (POESIA).


A Arte de se enganar com Políticos

(Xiko Mendes)

Se você quer se enganar com algum político,
Preste bem atenção: ainda que ele não te conheça,
Ele finge que é seu amigo há muito tempo;
Entra na sua casa e te dá um abraço traiçoeiro,
Mas como se fosse o seu melhor amigo.
Ele esbanja “humildade e abnegação”
Como se fosse o maior dos samaritanos;
Ele beija os seus filhos, a esposa ou o marido,
Como se fosse parte de sua família;
Ele invade o seu lar com a certeza de que
Você aceitará ser enganado.
Ele abre um falso sorriso largo no rosto
Para esconder e mascarar quanto é dissimulado;
Ele te mete a faca nas costas, mas com diplomacia,
Como se estivesse te convidando para
Um banquete com os deuses da Demagogia no Palco;
Ele se “com-promete” em realizar seus sonhos;
Ele promete destruir todas as suas angústias;
Ele se propõe a ser a Panaceia do Mundo;
Mas o que ele quer mesmo de você é o voto;
Mais nada. Você não é nada para ele.
Você é apenas o voto que tem.
Você, eleitor, é apenas um papel higiênico,
Um objeto descartável cuja utilidade se esgota
Após o resultado das eleições com o fechamento das urnas.
Eleito, empossado e entronizado na “Tribuna da Vaidade”,
Onde os medíocres e mequetrefes se julgam
Os mais importantes dos seres humanos,
Aí tudo muda: aquele político “bom samaritano”,
Mostra de fato quem verdadeiramente ele é:
Vaidoso, mentiroso, tirânico, farsante,
E sempre, sempre muito mascarado.
Ele foge da verdade como o diabo foge da cruz;
Eis a cartilha da arte de se enganar com políticos!
Portanto, não se deixe enganar por várias vezes,
Pois as estratégias são sempre as mesmas
Em todas as eleições quando a busca por votos
Transformam os políticos em porta-vozes da Esperança.
Eu já cansei de me decepcionar com políticos.
Agora decidi cruzar os braços, “me fingir de morto”
Para depois, muito tempo depois,
Dar a minha resposta em silêncio,
Sem que eles percebam,
Pois não existe coisa pior para um político
Do que ele ser ignorado pelo eleitor quando
Ele está em busca do voto e você vira
O centro das atenções e não vota nele.
Essa, então, é a hora de você ser o protagonista;
É a hora de você dar o troco e devolver a ele
Tudo o que fez de ruim ao longo do mandato.
Essa é a vingança cívica quando a
Sua Consciência de Cidadania
No Estado Democrático de Direito
Vira a única arma capaz de combater os Calhordas
Que se chafurdam no mar de lama do poder
E se envaidecem achando que nós, o Povo,
Somos a sarjeta do esgoto que eles constroem.
Só o voto, e somente com o seu voto (branco, nulo...),
Poderemos transformar o Mundo
E colocar na Lixeira da História
Essa gente sórdida, hipócrita, arrogante e prepotente,
Que se acha dona de nossas vontades e roubam
Nossos sonhos e esperanças.
E voltam na eleição seguinte com o mesmo discurso
De que são os Salvadores da Pátria.
Mas a Pátria somos nós: a Consciência Crítica
Que muda a Vida, nos devolve o Sonho e a Esperança.

XIKO MENDES (POESIA).


Reino da Egolatria

(Xiko Mendes)

Poder e Vaidade andam juntos.
Tem gente que se envaidece
Tanto pelo Poder que
Se desencontra consigo mesmo(a).
Tem gente que se julga
Tão poderoso(a) que
Tropeça nos próprios
Passos errados que
Dá na Vida por excesso de autoconfiança
Em seu mandonismo absoluto.
Mas nada melhor que a Vida,
O pesadelo da experiência e a
A imagem estilhaçada no espelho para que
Essa gente perceba que viver, antes de tudo,
É ser simples, humilde e humano.
O Poder passa.
A Vaidade passa.
O que fica são Amizades, a Saudade,
O Amor correspondido, a Vida partilhada
Em sonhos com quem sonha e quer
Um Mundo onde Vaidade e Poder
São espectros de um Mundo vazio
De sentimentos, de poesia e de Deus.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

XIKO MENDES (POESIA).


Sonhar ainda é possível

Xiko Mendes

Dizem alguns que sou muito sonhador.
É verdade.
Sem sonho não se fecunda a impossibilidade.
Sonhar o que se julga impossível é reaproximar
De nós a face intangível de Deus sob o manto da
Esperança sufocada na garganta dos pessimistas,
Dos invejosos e dos que, em vez de lutar,
Cruzam os braços apostando na inércia do Mundo
Como resposta à própria acomodação,
Indulgência e indolência,
Que são os antídotos de quem não se comove
Com a miséria da vida e se torna prisioneiro de
Uma existência medíocre e previsível.
Dizem também que uma pessoa que
Acredita nas próprias palavras é muito perigosa.
Concordo plenamente.
Hitler acreditou tanto nas palavras dele
Que quase destruiu o Mundo.
Por outro lado, Cristo e Mahatma Gandhi
Também acreditaram tanto no que eles
Disseram à Humanidade que
Semeou no Mundo um extenso vocabulário de utopias.
O Mundo é assim: Uma “Lexicosfera” onde
Cada palavra incorpora o Universo à dimensão do Nada
Ou à dimensão do Infinito.
Sonhar é espantar-se com as diversas possibilidades
De se fazer acontecer e surpreender-se transformando
O mistério da (re)descoberta de si mesmo e do Mundo
Como alavancas do sucesso nas fronteiras movediças
Dessa encruzilhada centrífuga que é a Existência Humana
Entre a cômoda decisão de ficar e contentar-se com o já feito
Ou a incrível vontade de percorrer as linhas do desconhecido
Em busca de algo que ninguém consegue para mim:
O direito supremo e inalienável de trilhar, oniricamente,
Todas as curvas do Universo, visitando todas as Galáxias,
Hospedando-me em todas as Constelações,
Vivendo aventuras dantescas em buracos negros,
E fixando todos os meus sonhos como poeira cósmica
Levada pelo vento e que permaneça em órbita
 Para que os pessimistas se envergonhem e digam:
“Sonhar ainda é possível!”.
E mais do que possível,
Sonhar é estar sempre no Labirinto
Buscando caminhos novos e atalhos
Para que o Mundo se renove, continuamente,
E o Homem continue sua marcha inelutável
Em busca de si mesmo
Como Metamorfose Caótica em Universo Oscilante
Aprendendo Lições de Cosmologia Onírica.

P.S.: Quero esse poema publicado na próxima edição impressa do nosso jornal PLANALTINA EM LETRAS, que circulará em junho de 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

HOMENAGEM DA ACADEMIA PLANALTINENSE DE LETRAS A TODOS OS POETAS (CONSAGRADOS E ANÔNIMOS) DO PLANETA...



VAMOS FAZER POESIA?
(Joésio Menezes)

Vamos, criançada,
Vamos com alegria,
Tirar versos do nada
E fazer uma poesia?

É só andar pela rua
E de cara contra o vento
Perguntar à nobre Lua
Qual a cor do firmamento.

Depois, nos jardins da vida,
Ter coragem e liberdade
De perguntar à Margarida
Qual a flor da idade.

Vamos perguntar, também,
Aos doze meses do ano
Que parentesco eles têm
Com o Tempo soberano.

E nas fronteiras do Universo
Perguntar às estrelas do Céu
Quantas palavras em verso
Cabem na folha de papel.

E se necessário for,
Perguntaremos ainda
Ao grande Criador
O que faz a Natureza linda...

Depois disso, garotada,
É só juntar a fantasia
Às respostas encontradas
E estará feita a poesia!