sexta-feira, 3 de junho de 2011

Regulamento do Concurso Artístico e Literário “Planaltina, Um Novo Olhar: Orgulho pelo Passado e Compromisso com o Futuro”

Artigo 1 – O Concurso Artístico e Literário “Planaltina, Um Novo Olhar: Orgulho pelo Passado e Compromisso com o Futuro” é uma promoção da Diretoria Regional de Ensino de Planaltina, em parceria com a Academia Planaltinense de Letras (APL) e a Administração Regional de Planaltina.
Parágrafo Único: Esse concurso tem por objetivo comemorar o aniversário de 152 anos de Planaltina.

Artigo 2 – São parceiros do projeto deste concurso as seguintes entidades:
I – Rádio Comunitária Utopia FM, cujo apoio cultural traduzir-se-á na divulgação radiofônica deste concurso ao longo de sua execução até o encerramento e sem contrapartida pecuniária para os seus organizadores.
II – Instituto Homo Cerratense Paulo Bertran, cujo apoio cultural traduzir-se-á pela assessoria operacional e técnica de forma gratuita no oferecimento de informações históricas, doação ou empréstimo de material pedagógico, entre outros, além de palestras e atividades afins, visando à capacitação de professores integrantes do concurso.

Artigo 3 – São finalidades deste concurso:
I – Na Parte Artística:
Produzir CARTAZES em papel A4, por meio de desenhos, charges, caricaturas, entre outras formas similares de expressão, que representem aspectos típicos de Planaltina, relacionados ao tema.
II – Na Parte Literária:
Redigir TEXTOS que utilizem como gênero literário a poesia, nos quais a história, a cultura, as artes, as paisagens, o misticismo religioso, enfim, que o contexto do imaginário planaltinense seja retratado como representativo do desenvolvimento de Planaltina em seus diferentes aspectos;

Artigo 4 – Como Estrutura Temática, os estudantes concorrentes deste Concurso terão como Eixos Norteadores de abordagem:
I – As Manifestações Culturais, Religiosas e Místicas mais representativas de Planaltina;
II – Os Patrimônios Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico das áreas urbana e rural de Planaltina;
III – A “Preexistência Goiana” de Planaltina como marco referencial de Brasília antecedendo e contribuindo para a localização e consolidação do Distrito Federal;
IV – O Desenvolvimento social, econômico, cultural, turístico, político-institucional e socioambiental do território de Planaltina (áreas urbana e rural) com enfoque na Sustentabilidade.

Artigo 5 – O resultado final deste concurso artístico e literário dar-se-á por meio da publicação do cartaz vencedor “Planaltina, Um Novo Olhar: Orgulho pelo Passado e Compromisso com o Futuro” e da impressão em forma de livreto das melhores poesias, conforme padrão técnico a ser definido pela Diretoria Regional de Ensino de Planaltina em parceria com a Academia Planaltinense de Letras (APL) e a Administração Regional de Planaltina.
Parágrafo 1º – O patrocínio da publicação do livreto e do cartaz neste concurso artístico e literário é de inteira responsabilidade da Administração Regional de Planaltina.


Artigo 6 – São estabelecidas três categorias conforme as modalidades de ensino:
I – Primeira: Anos iniciais do Ensino Fundamental
II – Segunda: Anos finais do Ensino Fundamental, EJA 1º e 2º Segmentos
III – Terceira: Ensino Médio, EJA 3º Segmento.

Artigo 7 – Originalidade, coerência, coesão, clareza e identidade com o tema deste Concurso serão critérios indispensáveis na seleção das poesias e dos cartazes, tanto pelos professores quanto pela comissão julgadora.

Artigo 8 – Serão DESCLASSIFICADOS AS POESIAS e OS CARTAZES caracterizados como:
I – Plágio.
II – Que tenham caráter político-partidário, ou seja, traduzam PROMOÇÃO PESSOAL.

Artigo 9 – Cada Escola participante formará uma comissão julgadora, que selecionará as 3 (três) melhores POESIAS e os 3 (três) melhores CARTAZES em cada categoria e os enviará/protocolará no EXPEDIENTE da DRE de Planaltina para serem encaminhados ao Núcleo Pedagógico até o dia: 7 de julho de 2011.

Parágrafo único: As poesias e os cartazes que participarão do Concurso Artístico e Literário “Planaltina, Um Novo Olhar: Orgulho pelo Passado e Compromisso com o Futuro” ao serem protocolados na DRE Planaltina, deverão estar em envelope lacrado com os dados de identificação do aluno (nome completo, série/ano, turma, turno, escola), do professor orientador e da equipe gestora/coordenação da Escola participante.

Artigo 10 – As POESIAS, pré-selecionadas pela comissão julgadora de cada Escola, deverão ser protocoladas no EXPEDIENTE da DRE de Planaltina para serem encaminhadas ao Núcleo Pedagógico em papel A4, na forma impressa, usando letra corpo 14, e fonte arial. Anexa a esse material deve ser entregue também a versão manuscrita da poesia e sua gravação digitalizada em CD.

Artigo 11 – Os CARTAZES, pré-selecionados pela comissão julgadora de cada Escola, deverão ser protocolados no EXPEDIENTE da DRE de Planaltina para serem encaminhados ao Núcleo Pedagógico em papel A4, na forma impressa. Anexa a esse material deve ser entregue também a versão manuscrita da ilustração produzida pelo aluno e sua gravação digitalizada em CD.

Artigo 12: Para efeito de planejamento, ficam definidas como cronograma do projeto as datas abaixo, que estarão sujeitas a ajustes ao longo de sua execução conforme seguem:
Cronograma para Produção de POESIA e CARTAZES:
  • 1ª Semana de Junho – Inscrição das Escolas participantes deste projeto. Preencher ficha de inscrição anexa e entregar no Núcleo Pedagógico da DRE Planaltina.
  • Junho de 2011 – Período de realização do concurso artístico (cartazes) e literário (poesia) nas escolas públicas de Planaltina pelos alunos e professores inscritos na Lista de Escolas participantes deste projeto.
  • de 04 até 07 de julho – Período improrrogável para protocolar no EXPEDIENTE da DRE de Planaltina para serem encaminhadas ao Núcleo Pedagógico as poesias e os cartazes produzidos nas Escolas.
  • de 11 até 25 de Julho – Período destinado à seleção das poesias e dos cartazes pela comissão julgadora do concurso. Haverá também, sob a responsabilidade das escolas participantes, a Revisão Gramatical dos trabalhos selecionados.
  • 05 de Agosto – Dia destinado à divulgação dos resultados e premiação dos vencedores.

Artigo 13 – Os Patrocinadores do Concurso terão seus nomes divulgados (sem menção do valor doado) numa lista impressa no verso dos Certificados de participação, além de aparecerem no material a ser publicado com as poesias.

Artigo 14 – As escolas participantes do Concurso com alunos classificados como vencedores receberão DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO como reconhecimento público por seu trabalho pedagógico.
Parágrafo 1º – Na parte literária - Concurso de Poesia - Serão premiados 2 (dois trabalhos de cada categoria. Ao 1º colocado em cada categoria no concurso de poesia: NETBOOK. Ao 2º colocado em cada categoria no concurso de poesia: CELULAR.
Parágrafo 2º - Na parte artística - Concurso de Cartazes - Serão premiados 2 (dois) trabalhos em todos os categorias. Ao 1º colocado: NETBOOK. 2º colocado: CELULAR.
Parágrafo 3º - No caso específico dos cartazes, o 1º lugar de cada uma das três categorias será submetido a julgamento posterior, sendo que APENAS um deles será selecionado para divulgação institucional em eventos comemorativos aos 152 anos de Planaltina.

Artigo 15 – A Comissão Julgadora Final será escolhida em comum acordo e será composta de 5 (cinco) membros, sendo 2 (dois) indicados pela Diretoria Regional de Ensino de Planaltina – DRE, 2 (dois) membros indicado pela Academia Planaltinense de Letras e mais 1 (um) indicado pela Administração Regional de Planaltina.

Artigo 16 – Demais esclarecimentos, normas ou procedimentos não previstos neste Regulamento estão sujeitos à nova regulamentação pela Diretoria Regional de Ensino em comum acordo com a Diretoria da APL.

Planaltina DF, 30 de maio de 2011

Coraci Lopes da Silva
Academia Planaltinense de Letras
Presidente

Misael Barreto
DRE – Planaltina

Nilvan Vasconcelos
Administrador Regional de Planaltina

domingo, 8 de maio de 2011

A todas as MÃES do mundo, um...
MÃE
(Joésio Menezes)

Mãe é sinônimo de aconchego,
De carinho, de paz, de esperança...
E entre um e outro chamego
Vai vendo crescer sua criança.

Mãe é sinônimo de luz,
De fé, de justiça, de bonança...
E inspirada na vida de Jesus
Vai ensinando a viver sua criança.

Mãe é sinônimo de prudência
De sabedoria, de paciência
De felicidade e de confiança.

Mãe é sinônimo de Amor,
E abençoada pelo Criador
Dá a vida pela sua criança.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

UM ANO SEM JOSÉ GERALDO PIRES DE MELLO

por Joésio Menezes

Faz hoje 01 ano que Brasília acordou triste, pois não mais teria a graça, o encanto e o ineditismo dos versos do niteroiense José Geraldo Pires de Mello, patrono da Cadeira XXVII da Academia Planaltinense de Letras. Naquela manhã de 21 de abril de 2010 ele fora chamado por Deus para ocupar uma cadeira na Academia Celestial de Letras e para o Céu mudou-se em definitivo, deixando órfãos todos aqueles que apreciam os versos muito bem esculpidos, em que a rima e a métrica são constantes.
Nascido em 18 de maio de 1924, José Geraldo estreou em livros com a coroa de sonetos intitulada De Braços Dados, em 1975. Em 1978, o poeta brindou-nos com 02 novos trabalhos: Chama de Amor (coroa de sonetos) e O Catavento Amarelo, e três anos mais tarde com A Mensagem do Arco-íris, todos eles publicados em Brasília, onde residiu até o último suspiro poético.
Também em 1975 José Geraldo licenciou-se em Português/Latim e Português/Espanhol pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília – CEUB, em cujo Departamento de Letras lecionou por muitos anos, nas áreas de Literatura Brasileira e Pesquisa Literária e, eventualmente, nas de Literatura Portuguesa e Teoria da Literatura. No mesmo estabelecimento de ensino integrou, em 1982, a primeira turma de pós-graduação (latu sensu) na área de Moderna Literatura Brasileira.
Apaixonado pela poesia clássica e especialista na arte de escrever respeitando o ritmo e a métrica, José Geraldo tinha como ídolo o poeta Cruz e Sousa, a quem dedicou um Ensaio (Cem Anos com Cruz e Sousa), publicado pela Thesaurus em 1994.
Participava ativamente de várias entidades de caráter cultural, entre elas a Associação Nacional de Escritores (Brasília), da qual foi vice-presidente; Academia Niteroiense de Letras (Niterói-RJ); Academia Brasileira de Literatura (Rio de Janeiro); Academia Fluminense de Letras (Rio de Janeiro); Academia Brasiliense de Letras (Brasília); Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil (Rio de Janeiro) e Academia de Letras do Brasil (Brasília), tendo sido, inclusive, presidente dessa última confraria. Presidiu, ainda, o Clube de Poesia de Brasília.
Apesar de ter sido um grande sonetista lírico, também é comum encontrarmos na sua vasta obra poética - além do ritmo, da métrica e do lirismo - os versos satíricos (ou burlescos, como preferia chamá-los), marca registrada do poeta, contista e ensaísta José Geraldo Pires de Mello.

terça-feira, 12 de abril de 2011

OS FRADES
(Vanilson Reis)

Hoje, 31 de dezembro de 2009, último dia do ano.
Apesar de algumas tristezas ainda no meu peito, que me causam muita dor, estou muito bem, pois Jesus Cristo é um ser perfeito que não abandona o homem. Meus amigos frades não arredaram os pés do lugar em que sempre estiveram: em um rack cor de marfim. Os frades e eu não conversávamos há muito tempo, mas não há nada demais. Não estou escrevendo ultimamente porque a inspiração fugiu de mim como o passarinho que foge da arapuca quando descobre que ela o assusta. Juro que, até mesmo hoje, eu não estava preparado para conversa nenhuma. Ando muito casmurro, feito os personagens de Machado de Assis no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. Eu sinto uma dor terrível no coração. Para dizer a pura verdade, não sei se é mal de tristeza ou ansiedade por saber o sentido próprio da morte. Penso assim: “por que será que as pessoas morrem tão de repente, da mesma forma que morrem centenas de pássaros”?!
Não quero, aqui, classificar a morte dos pássaros como um ato insignificante. O que pretendo, na realidade, é comparar a queda dos corpos numa planilha de valores reais. A Bíblia diz que todo homem é somente vaidade. Então, o homem existe porque é todo vaidade, e a vaidade desse homem é o princípio do prazer que ele sente pela vida. O pássaro não tem alma, não pensa, mas carrega consigo a certeza de que é livre para voar no universo da Terra. Não seria o caso de classificar o homem e o pássaro numa cadeia elementar de valores?! Porque, com isso, o próprio homem conscientizar-se-ia, definitivamente, de que o amor existe para sempre, entre os homens e os pássaros.
Neste ano, a minha roda de amigos ficou bem menor, principalmente com as mortes de Osmar Pereira de Oliveira - o popular Vovô -, Wilmar Calasans e Naninha. A partida dessas pessoas significou para mim um verdadeiro racha nessa roda que era tão confeitada de respeito e harmonia. A gente não se conforma com a morte, mesmo que seja patrimônio particular do vizinho. É uma coisa incrível com que o homem tem convivido desde o início do mundo. Quantos homens cultos existem nessa vida?! Todos já leram sobre a filosofia da morte!... Mas não aprenderam praticamente nada que pudesse calar o pranto e secar também as lágrimas do ser humano.
A verdade é que tudo não passa de um mistério na Terra. Eu mesmo, amigos frades, sou um homem fraco, totalmente podre, que vai à igreja, mas não aprendeu a maneira certa de rezar. Pena que a minha postura e a postura de vários homens não são o suficiente para convencer o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Jesus Cristo é o símbolo da fé que conduz o verdadeiro cônjuge da religião humana; a igreja não precisa ser linda e o padre ser estrangeiro, o importante é a cerimônia que há entre o Criador e a criatura.
Deus é uno e jamais uma legião de deuses na Terra e no Céu. Não acredito que o Céu seja melhor que a Terra; se eu acreditasse, amigos frades, não estaria aqui, reclamando da grande perda dos amigos que partiram na companhia de Deus. - Eu sou, como Pedro, meio santo e meio homem.

(Planaltina em Letras, Ano I, nº 3, p.4, jan./março-2011)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

TIPOLOGIA: UM BREVE ESTUDO
(Adenir Oliveira)

A realidade mais a intenção de criar a beleza estética é que nos levam à imaginação e reflexão. As ciências procuram conhecer o objetivo do estudo através de um método que consiste numa abstração que leva a distinguir as propriedades e as relações das coisas e a fazer afirmações que atribuam propriedades e relações a estas coisas.
Encarar os fenômenos com objetividade significa superar os limites da análise puramente formal para relacionar com o contexto condicionador, sobretudo a estrutura, função, entorno, ambiente e as condições da evolução social, cultura, político e econômico de um momento histórico. Vemos, assim, que todo conhecimento tem uma base cultural como experiência e “herança”, e, como fato, é resultado de diferentes informações colhidas e acumuladas através dos tempos. Este conhecimento é adquirido através da seleção das soluções e das análises das necessidades grupais e coletivas a fim de adotar bases tipológicas que vão se evidenciando através dos tempos e sendo estruturadas como objetivos próprios do conhecimento. Com isso, é possível afirmar que O TIPO É UM ELEMENTO CULTURAL, E COMO TAL PODE SER BUSCADO NOS DIVERSOS MOMENTOS HISTÓRICOS.
O objeto sempre nos leva a uma ideia porque é signo que se relaciona de uma determinada maneira, segundo uma “estrutura”. É uma opção gerada por conceitos de nível sócio-cultural, anteriormente adquiridos, que nos levam a criar um conjunto de elementos com uma gama de variáveis e combinações entre eles, possibilitando a variação do projeto como conhecimento de uma estrutura de valor plástico, funcional, construtivo, etc... bem mais consideráveis. O tipo, portanto, não é algo que se cria, ele existe e cabe a nós descobri-lo.
Tipo é, portanto, a maneira de ser, obedecendo às condições das variáveis formais, funcionais, estruturais, conformação espacial e ambiental, relação objetivo/objetivo e objetivo/entorno, sendo que esta maneira de ser está sempre presente no objeto. É algo abstrato (um construtor mental) que sistematiza o objeto (e o classifica) ou analisa um determinado momento dependendo do “enfoque” dado e, com verdadeira expressão semântica, de acordo com o objetivo que visa alcançar. A expressão é a forma ideal com que os elementos se relacionam e se distinguem. O tipo não é, pois, algo (uma imagem) para ser copiado ou repetido, e sim para se extrair a ideia base que lhe sirva de regra (como essência de uma constante e relativa variável), mas com ressonância e grande expressão. Portanto, o tipo não é um modelo único e simplificado, síntese das melhores formas passadas. Os padrões culturais mudam e com eles as necessidades coletivas. A cada época, região ou período histórico existe uma gama de possibilidades e não um único tipo proposto, fixo e pré-determinado.
O tipo é um MODELO ao nível da abstração e as relações entre os vários tipos e suas combinações é que “definem” a tipologia.
Na estrutura, por exemplo, como conformação ou materialização do espaço, há uma grade variável de classe e subclasse, “subtipo ou tipo menor”. O resultado das combinações e a maneira como eles se relacionam é que vão formar uma série maior: “série tipológica estrutural”.
De tal feita, podemos concluir que, consciente ou inconscientemente, em nosso trabalho diário, dentro de qualquer campo de estudo, estamos lidando com tipos. É uma questão de opção; e quando optamos, o fazemos por um determinado tipo. Por exemplo, uma língua utilizando signos - e com base numa sintaxe - permite diferentes composições desses signos. O meta-projeto, da mesma forma, utiliza signos e sintaxe próprios que se expressam de diversas formas numa linguagem. A tipologia é a configuração “formal” dessa linguagem.

(Planaltina em Letras, ano I, nº2 , p.2/3, out/dez – 2010)

terça-feira, 29 de março de 2011

ORIGENS DA NOSSA LÍNGUA E FALA

Nossa História começa em Portugal, pequeno país na ponta sul da Europa e que se originou da desintegração do Império Romano, habitado inicialmente por celtas e iberos, por volta de 2000 antes desta nossa era. Somente em 1148 d.C os lusitanos vão ter o seu primeiro rei, Afonso Henriques. Nossa língua mãe é a portuguesa, nosso patrimônio, que é, segundo Alfredo Bosi, "língua nascida numa terra exígua territorialmente, mas que se alargou aos cinco continentes, graças ao seu dom expressivo e proteico que lusitanizou, brasilizou e africanizou terras e almas".
O Latim é uma língua indo-européia do grupo itálico usada pelos romanos da Antiguidade e que deu origem às línguas românicas (espanhol, catalão, português, galego, rético, francês, italiano, romeno). Originário da região do Lácio, o Latim expandiu-se a partir do 8º século antes de Cristo e assumiu formas locais (latim vulgar) que se afastaram cada vez mais do registro clássico. O Latim é uma língua altamente flexional, ainda hoje adotada como base da terminologia legal e científica, bem como em alguns textos e rituais da Igreja Católica Romana. Até o século 18, foi a língua internacional dos eruditos e diplomatas.
A primeira literatura produzida em Portugal era composta de baladas de amor, reunidas em livros chamados de cancioneiros. Derivada em parte da literatura provençal, floresceu na corte de Afonso II, a partir de 1248. No século seguinte, surge uma prosa baseada nas lendas celtas e no século 15 é que se estabelece a inportante tradição histórica das crônicas, Especialmente observada na obra de Fernão Lopes. Por outro lado, as origens da dramaturgia portuguesa são encontradas em Gil Vicente no início do século 16. Novas formas poéticas vão aparecer com Francisco Sá de Miranda, que viveu de 1485 a 1558 e estudou por seis anos na Itália. O florescimento dessa poesia atingiu seu ápice durante o Renascimento e com a obra de Camões. Outros nomes que criaram uma tradição de literatura lusitana foram Gaspar Corrêa, que escreveu sobre as conquistas portuguesas na índia; Bernadim Ribeiro, autor de um romance pastoril, e o escritor místico e padre jesuíta Thomé de Jesus. Com seus navegadores lançando-se ao mar, a língua portuguesa chega à América, e ainda atravessará dois séculos para também desdobrar-se numa língua brasileira, a ser expressada por génios como António Vieira, Gonçalves Dias, Machado de Assis, Joaquim de Souzândrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Clarice Lispector e Hilda Hilst.
Nos séculos 17 e 18, Portugal vive sob o domínio da Espanha e a principal influência é a de Góngora. No século 19, com o romantismo, um novo impulso à literatura portuguesa surge na obra de nomes como Almeida Garret, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco. No século XX, são destaques dessa literatura nomes como Fernando Pessoa, Miguel Torga, Sá-Carneiro, Agustina Bessa Luis e José Saramago, Prémio Nobel de Literatura em 1998.
1989 foi o ano da criação da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, que reúne os sete países de fala comum: Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola.
Hoje, são centenas de milhões de pessoas falando pelo mundo essa língua, que continua se modificando e se multiplicando e que um dia foi definida pelo poeta Olavo Bilac como "última flor do Lácio, inculta e bela..."

(Planaltina em Letras, ano I, nº2 , p.2, out/dez - 2010)

segunda-feira, 21 de março de 2011

ESCRITOR DA APL HOMENAGEIA AS MULHERES EM NOITE DE AUTÓGRAFOS
Na noite da última sexta-feira, dia 18/03, no Salão de Festas de Casarão Hotel, aconteceu a NOITE DE AUTÓGRAFOS do livro Mulheres, Flores e Outros Amores - do professor e poeta Joésio Menezes, da Academia Planaltinense de Letras (APL) -, seguido de um Sarau de Música e Poesias. Como bem sugere o título do livro, quase todos os textos ali publicados exaltam a mulher.
O evento foi comandado pelo professor, historiador e escritor Xiko Mendes, também da APL, que abriu os trabalhos fazendo menção ao dia 8 de março de 1857, data em que cerca de 130 operárias de uma fábrica de tecidos novaiorquina foram trancadas no galpão onde trabalhavam e queimadas vivas, pois reivindicavam melhores condições de trabalho.
Logo de início, por ocasião do DIA INTERNACIONAL DA MULHER (celebrado em 08/03), o poeta Joésio Menezes parabenizou as mulheres presentes e distribuiu flores a cada uma delas enquanto declamava-lhes uma poesia. Em seguida, os poetas Adenir Oliveira, Geralda Vieira, Kora Lopes, Vanilson Reis, Xiko Mendes e Vivaldo Bernardes (todos da APL), recitaram poesias, também em homenagem às mulheres.
E para fechar a noite com chave de ouro, o grupo musical Riacho de Maná ficou encarregado de animar a plateia com clássicos da MPB.







sexta-feira, 18 de março de 2011

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE AFRÂNIO COUTINHO

Há cem anos nascia, em Salvador-BA (15/03/1911), Afrânio dos Santos Coutinho, professor, escritor, crítico literário e ensaísta brasileiro. Em 17 de abril de 1962 foi eleito à Cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras e empossado em 20 de julho de 1962, pelas mãos do acadêmico Levi Carneiro.
Afrânio Coutinho era filho do engenheiro Eurico da Costa Coutinho e de Adalgisa Pinheiro dos Santos Coutinho. Formado em medicina, preferiu seguir a carreira de professor de Literatura e História no curso secundário. Foi bibliotecário da Faculdade de Medicina e professor da Faculdade de Filosofia da Bahia.
Em 1942, embarcou para os Estados Unidos, onde durante cinco anos frequentou cursos na Universidade de Columbia e em outras universidades norte-americanas, aperfeiçoando-se em Crítica e História Literária. Regressou ao Brasil em 1947 e foi morar no Rio de Janeiro. No ano seguinte, inaugurou, no Suplemento Literário do Diário de Notícias, a seção "Correntes Cruzadas" (que manteve até 1961), por meio da qual debatia problemas de crítica e teoria literária. Na Faculdade de Filosofia do Instituto Lafayette, criou, em 1951, a cadeira de Teoria e Técnica Literária, primeira iniciativa do gênero no Brasil. Foi colaborador de vários jornais e revistas literárias de todo o país, bem como do estrangeiro.
Em 1965, criou a Faculdade de Letras da UFRJ. Em 1968, foi nomeado diretor dessa faculdade, permanecendo no cargo até aposentar-se, em 1980. Foi ele quem também criou a Biblioteca da Faculdade de Letras, reconhecida como uma das melhores do gênero no Rio de Janeiro.
Na sua trajetória de vida, o soteropolitano Afrânio Coutinho construiu uma vasta biblioteca particular, que se tornou a base para a criação, em 1979, da Oficina Literária Afrânio Coutinho (OLAC), destinada a promover estudos na área da literatura, ministrar cursos e conferências, e receber escritores nacionais e estrangeiros. Hoje a Biblioteca pertence à Faculdade de Letras da UFRJ.
Afrânio Coutinho faleceu em 5 de agosto de 2000, no Rio de Janeiro, deixando-nos como legado uma vasta obra literária. Antes, porém, coordenou a elaboração da Enciclopédia de Literatura Brasileira (obra em dois volumes), publicada em 1990 e reeditada em 2001.

(Planaltina em Letras, Ano 1, nº 3, p.2, jan/março-2011)

sábado, 12 de março de 2011

Convite
A Academia Planaltinense de Letras convida Vossa Senhoria e Excelentíssima família para a NOITE DE AUTÓGRAFOS do livro Mulheres, Flores e Outros Amores, do acadêmico Joésio Menezes, a realizar-se às 19h30 do dia 18/03/2011 (sexta-feira), no Salão de Festas do Casarão Hotel, à Praça Cel. Salviano Monteiro Guimarães (Praça do Museu).

sexta-feira, 11 de março de 2011

HOSANNAH C. GUIMARÃES
(Patrono da Cadeira XX)

Filho de Salviano Monteiro Guimarães e Olívia Campos Guimarães, Hosannah Campos Guimarães nasceu a 31 de outubro de 1905, em Planaltina.
Cursou medicina no Rio de Janeiro, formando-se em 1929 na especialidade de clínica geral e retornando à sua terra natal, onde exerceu o ofício até os 70 anos de idade.
Paralelamente à profissão de médico, comercializou gados, foi líder dos fazendeiros na região e exerceu diversos cargos políticos, dentre os quais: Prefeito de Planaltina, Vice-Governador e Governador do Estado de Goiás.
O médico Hosannah Campos Guimarães foi personagem importante no convencimento de proprietários em relação à desapropriação das terras para construção da nova capital.

terça-feira, 8 de março de 2011

Homenagem da Academia Planaltinense de Letras às Mulheres, por ocasião do DIA INTERNACIONAL DA MULHER
MULHER
(Vivaldo Bernardes de Almeida)

Conheço-te, Mulher, conheço-te inteira,
da tua altiva tez aos delicados pés.
Singrando o mar da vida, és a timoneira.
Por mais palavras ouço, escondes-me quem és.

Escondes-me quem és, por mais palavras digas.
Só podes ser divina, a te esconderes tanto,
pairando em longes sóis, em que feliz te abrigas,
pois és igual em tudo, ao que há de mais santo.

Nas horas mais difíceis, horas de ansiedade,
o Homem te procura, à busca da verdade
que trazes junto a ti, na fala esclarecida.

Por fim, não sei dizer de onde tu vieste,
mas sei, daqui não és, e sim do azul celeste,
da mais brilhante estrela, e aqui estás perdida.


A MULHER QUE EXISTE EM MINHA VIDA
(Xiko Mendes)

A Mulher que existe em minha vida
É aquela que assume, sem medo,
Sua condição feminina
Como dimensão plena de liberdade.
É aquela que não abre mão de seu maior
Projeto de Vida: ser livre e feliz!
E só são felizes e livres
As pessoas que apalpam galáxias,
Tocam os céus,
Conversam com estrelas,
E dialogam com a Natureza
Observando o vagar silencioso
Do caminhar como busca
Constante da vida e do amor.

A Mulher que existe em minha vida
É a mulher-águia: desconhece barreiras
Por que sobrevoa ao longe e perto de seu coração
E nesse ir e voltar de sonhares incessantes,
Reconhece que o limite da Felicidade é a
Busca absoluta do Universo que existe dentro de nós!

A Mulher que existe em minha vida
Não tem traços étnicos;
Não é branca, negra, amarela, morena...
Ela é um arco-íris com a força do vento
E a coragem de um pássaro.
E, num explodir de luzes que acendem o Mundo,
Ela vai aos poucos colocando luzes
Que apagam as trevas do preconceito,
Da indiferença e do desamor.

A Mulher que existe em minha vida
Tem cheiro de fêmea.
Mas não se satisfaz apenas com o odor do sêmem
Porque é ainda maior que essa felicidade instantânea
Onde a libido muitas vezes está cercada de rótulos
Como o do "Sexo Frágil".
Porque a Mulher que existe em minha vida
Identifica no encontro dos sexos a satisfação plena de
Ser a dona da chave que abre o Mundo para a Vida,
A Felicidade, a Liberdade...
E o Prazer, ambos compartilhados,
E de igual para igual.

A Mulher que existe~em minha vida
Contempla todas as manhãs como se
O Mundo fosse uma eterna primavera;
E a Vida um orgasmo permanente.
E vai construindo, sem medo e sem fronteiras,
O seu direito de ser livre e feliz
Tecendo os fios de sua história, em silêncio;
Reconstituindo seus fragmentos de existência
Na sua relação com aquele já quase extinto
"Mundo dos homens"
Que via a Vida só sob o ângulo do Macho e Fêmea;
Ou com o "mundo das cores",
Que Separa a beleza por critérios de valor,
Etnia e anatomia;
Ou com o "mundo mercador de ilusões calipígias"
Que vende a beleza em passarelas,
Vulgarizando e ofuscando a percepção
De ver em cada mulher
A singularidade de ser especial: única
Nas suas idiossinerasias de ser
Construtora de fantasias e de seu próprio sonho.

A Mulher que existe em minha vida
Tem instinto de Mãe.
Não apenas a mãe como arché universal
Na arquitetura biológica da Existência.
Mas a mãe como esfera de miragem estética
De onde se enxerga o Belo, o Maravilhoso,
O Universo e o Impossível!


A IMPORTÂNCIA DA MULHER
(Joésio Menezes)

Pouco importa-me a sua cor,
Se é negra, branca ou albina;
Pouco importa-me se tem ou não pudor,
Se é recatada ou messalina.

Se por mim tem ou não amor,
Isso é coisa que não me desatina!
Importa-me apenas a obra que o Senhor
Deixou ao mundo, delicada e feminina.

Pouco importa-me seu grau de maturidade:
Se está na menopausa ou na puberdade,
Se é de meia-idade ou debutante.

O que mais importa é que a mulher,
Sabendo ou não da vida o que quer,
Dos seres é o mais importante!

domingo, 6 de março de 2011

NO SEMÁFARO, EU MENDIGO
(Elias Leite)
Tive terras, tive amores,
tive sonhos, tive cores.
Dei gritos, pulei cordas,
subi árvores, senti dores.
Menino traquino, peralta e franzino,
corre praças,
faz graça.
ri das desgraças
e um dia perde uma perna.
Tombo grande daquele cavalo,
no âmago o grande abalo.
Distância da escola.
distância do "pique- esconde",
distância dos colegas e da bola.
Destino diferente do nobre
ali ao lado do semáforo aquele pobre,
pedindo com sua mão estendida,
no coto da perna destra
uma grande ferida
que não sara e marca a sua vida.
Milhares de carros passam...
"Não me veem
porque não estou nos livros de História
nem na televisão,
são indiferentes.
mas tenho história".

sábado, 5 de março de 2011

FALENA
(Francis Paula)
Ela não soube entender
Que a noite virava dia.
Queria brincar com estrelas,
Correr campos, velejar,
Beber a sede das ruas,
Queimar a luz do luar,
Lavrar o corpo no grito:
Mil nomes p'ra segredar.

Não tinha o saber da aurora:
Espaços para equilibrar.
Falena nefas, falida,
Teimando em voejar.

Meus olhos - farol binário
No foco do seu olhar –
Procuravam pirilampos
Para seu sonho clarear.

Mas no miolo da noite,
Outra noite acontecia
E o que era transluzente,
Aos poucos escurecia
Como ondas nebulosas
Sufocando, envenenando,
Roubando o nascer do dia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

MEU BARRACO
(Mário Castro)
As tábuas arqueadas fortes
armadas nas grades frágeis
guardam de seus prantos, mortes
nos seus braços largos e ágeis.

Dos giraus, pedras, dormida
descanso da moça branca
chão penso, preço da vida
caminho da estrada franca.

Sol amargo para retina.
Imagens de noção caótica
plano do medo da rotina
fuga mórbida e exótica.

Meu barraco
meu barraquinho
em seus braços canta o passarinho.

Gota da chuva, celeste
Cumeeira astuta, sobrado
rede do doente da peste
traços de um passar passado.

Si, nada vê o psicopata
mor das vistas sem lembranças
do terno aceso e gravata
que só percebe a finança.

Si, vejo o mundo esquecido a
labuta sem bandeira
brado de um sentir unido
vida exposta na madeira.

quinta-feira, 3 de março de 2011

VERSOS TRISTES
(Nilton Alves)
Eu conheci o amor
No exato instante em que conheci você.
Desde que você me matou - me dizendo adeus -,
Nunca mais vi a vida: embora tenha visto tanta coisa,
nada enxerguei!...

O limite da esperança é o desespero.
O limite do amor é o ódio.
O limite da tristeza é a vontade de não mais viver.

O poeta disse certa vez que "se existir uma pulga
Numa mesa escura, numa noite sombria, Deus a vê",
Mas parece que até mesmo Ele, Deus,
Se esqueceu de mim!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

*O CORPO
(Joésio Menezes)

Sábado, dez horas da manhã...
O corpo de um jovem jazia estendido no asfalto quente. Fora atropelado por um carro em alta velocidade cujo condutor fugiu sem prestar socorro.
Os bombeiros, que haviam chegado ao local cerca de vinte minutos após o chamado, isolaram a área e cobriram com um pequeno lençol branco o corpo ensanguentado do rapaz.
A poucos metros dali, o pé direito de um tênis de marca que, com o impacto do atropelamento, saiu do pé da vítima.
Curiosos aglomeravam-se. Alguns querendo ver o corpo; outros tentando reconhecê-lo.
As Polícias Rodoviária e Militar também chegam ao local e a primeira providência tomada é desviar o trânsito a fim de evitar outros acidentes.
Chegam os peritos... Medem daqui, calculam dali, analisam de lá e anotam tudo numa pequena prancheta. A essa altura, os bombeiros já haviam identificado o corpo: Renato da Silva Filho, dezoito anos, estudante de Antropologia, filho de Renato da Silva e de Maria Isolda da Silva, residente no Condomínio Canaã, bairro nobre da cidade.
Poucas horas mais tarde, o corpo é levado para o Instituto Médico Legal.
Chega, então, o momento de dar a notícia aos familiares. Mas quem seria o “mensageiro da morte”?
A viatura do Corpo de Bombeiros pára em frente a uma casa de dois pavimentos. O condutor do carro desce e toca a campainha da casa dos “Silva”. Um homem com um pequeno curativo na testa e ataduras no punho direito abre o portão.
- Pois não!...
- O senhor Renato da Silva, por favor!
- Sou eu mesmo!... Em que posso ser útil?
- Boa tarde, senhor! Sou o sargento Ignácio, do Corpo de Bombeiros.
- Pois não, sargento! O que o traz até aqui?
- Hoje, por volta das oito horas da manhã, houve um atropelamento na estrada que dá para o centro da cidade.
- Mas... que ligação tenho eu com esse atropelamento?
- A vítima, senhor!
- Por quê?... Quem é a vítima?
- Seu filho...Renato da Silva Filho.
- Meu filho?... Não, não pode ser!...
- Desculpe-me a frieza, senhor, mas é ele mesmo. Eis os seus documentos.
O senhor Renato estende a mão trêmula e recebe os documentos. Confere-os. De fato, eram do seu filho. Incrédulo, olha para o sargento e pergunta:
- Conseguiram ver o carro? Anotaram a placa? Prenderam o responsável?
- Não!... Mas segundo testemunhas era um carro importado, azul-safira, conversível. Não há muitos desses carros aqui na cidade. Mais cedo ou mais tarde o encontraremos.
- É o que espero! – responde secamente.
- Poderia acompanhar-me ao IML para o reconhecimento do corpo, senhor? - pergunta o sargento.
- Claro!... - responde Renato com a voz embargada - Espere-me só um pouco, vou trocar de roupa.
- Pois não, senhor, esteja à vontade. Ficarei aguardando-lhe na viatura.
Renato, cabisbaixo e com os olhos encharcados, entra em casa. Lentamente sobe os degraus da escada que leva ao andar de cima. Dirige-se ao seu quarto. Senta-se na cama. Desolado, fixa o olhar no nada por alguns segundos. Levanta-se bruscamente e dirige-se até a janela dos seus aposentos. Olha para o BMW conversível, azul-safira, estacionado na garagem dos fundos. O paralama dianteiro direito amassado; o parabrisa quebrado... Volta à cama. Senta-se. Abre a gaveta do criado. Pega um reluzente Taurus, calibre 38, cano longo. Confere se está carregado. Está!... Encosta-o no seu ouvido direito. Puxa o gatilho...
Um estampido seco ecoa pelos cômodos da luxuosa casa. As poucas pessoas que lá estavam correm para ver o que aconteceu... Minutos depois, entra no quarto o sargento Ignácio, que encontra todos estarrecidos com a cena: um corpo ensanguentado; olhos arregalados; o tronco sobre a cama, caído para o lado esquerdo; as pernas dependuradas; uma foto do filho na mão esquerda; o Taurus na outra.
O sargento Ignácio, enquanto liga do celular para a polícia, dirige-se à janela do quarto. Olha para a garagem dos fundos e vê o conversível azul-safira. Vira-se para onde está o corpo e, negativamente, sacode a cabeça.

*3º colocado no Concurso Literário Internacional “Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete”, promovido pela Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayete-MG, em 2009.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

BARRIGA
(Mary Anita Pina Marques)
Barriga
Barriga do amor
Barriga, de que me queixo?
Barriga que dá na vista
Barriga depois da briga
Barriga que dá direitos...
Barriga sem preconceitos
Barriga bonita!
Barriga... barrigas.

E quantas há com barriga?
E quantos querem estar na barriga?
E quantas querem estar de barriga?
E quantos rejeitam barriga?

Parir!
Alimentar
Ou ser a espiã do mundo?
De medo chora pra perder
A barriga!
Ou choro ouvir
Ao sair da barriga...

Barriga não há defeito!
Barriga, te curto tanto
que de vida me encanto
e de ti me enfeito!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O VOO DA AVE
(Lourdes Silva)
Voa, bela ave, ao sol e vento...
Corta o tempo e some na amplidão,
Leva contigo, no bailar das asas,
A saudade que me aperta o coração.

Voa... o teu momento é canto,
O teu lema é a liberdade,
Sente o frescor que vem das nuvens,
Esquece o estilingue da maldade.

Teu voo altivo e resoluto
É grito de revolta e de pesares.
Voa, ave, com coragem insana
Atravessa os campos enxergando os mares.

Voa... veja apenas céu e água,
Barcos perdidos, espumas do mar...
Limpa o teu coração nos ares,
Solta o teu canto e torna a regressar.

Ó minha ave, meu hino,
Tu és para mim lealdade.
Voa na amplidão dos sonhos
Voltando no apelo da saudade!...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ÁGUAS EMENDADAS (NEPSO - NOSSA ESCOLA PESQUISA SUA OPINIÃO)-IBOPE.

Governo do Distrito Federal – GDF

Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (SEDUMA)

Instituto Brasília Ambiental – IBRAM
Estação Ecológica de Águas Emendadas – ESECAE
Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião – NEPSO/Instituto Paulo Montenegro (IPM)
Curso “REEDITOR AMBIENTAL – IV”
Responsáveis: EILA, FRANCISCO e XIKO MENDES, professores do Centro de Ensino Fundamental Pompílio M. de Souza

Projeto

AGENDA 21

MESTRE D’ARMAS 2008


Diagnóstico Socioambiental: Construindo Perspectivas para elaborar a Agenda 21 da Comunidade Mestre d’Armas a partir do Centro de Ensino Fundamental Pompílio Marques de Souza, Planaltina – DF.

Brasília – DF, Novembro de 2007

O POVO têm direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, BEM DE USO COMUM DO POVO e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao PODER PÚBLICO e à COLETIVIDADE o dever de defendê-lo para as presentes e futuras gerações”.

(Artigo 225 da Constituição Federal de 1988).
Aos Moradores do Condomínio Mestre d’Armas,
com a certeza de que juntos podemos transformar este bairro numa comunidade sustentável.


1. Apresentação

O presente projeto de pesquisa foi realizado por professores e alunos do Centro de Ensino Fundamental Pompílio Marques de Sousa, localizado no Condomínio Residencial Mestre D’Armas, comunidade periférica da cidade de Planaltina, que fica no norte do território do Distrito Federal. Este condomínio localiza-se na margem esquerda do córrego Mestre D’Armas cujas nascentes formadoras estão dentro da Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESEC-AE), unidade de conservação de proteção integral com gestão subordinada ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram), da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (SEDUMA), do Governo do Distrito Federal (GDF).

Essa escola passou a existir a partir do ano letivo de 2005 e, apesar de ser registrada como unidade de ensino fundamental, ela oferece diferentes modalidades de ensino-aprendizagem, que vão das séries iniciais ao ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Este projeto é parte do projeto “Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião – NEPSO”, desenvolvido em nível nacional pelo INSTITUTO PAULO MONTENEGRO (IPM).

Participaram desse Projeto os alunos do Projeto SUPERAÇÃO JOVEM, desenvolvido dentro da citada unidade de ensino em parceria com o INSTITUTO AIRTON SENA. Os alunos, total de 25, pertencem em sua maioria às turmas de Ensino Médio, e alguns deles às turmas de Ensino Fundamental, séries finais.

A realização deste Projeto foi conseqüência tanto da vontade dos professores da escola em ampliarem conhecimentos na área de Educação Ambiental para os alunos desta unidade de ensino quanto também porque o condomínio citado fica numa área de grande vulnerabilidade ambiental, na zona de amortecimento da ESEC – AE.

Os questionários foram elaborados e aplicados junto à comunidade do Condomínio Residencial Mestre d’Armas pelos referidos alunos do Projeto Superação Jovem com supervisão dos professores Xiko Mendes, Francisco Messias e Eila, que lecionam na citada escola e participam do curso REEDITOR AMBIENTAL IV, na ESEC-AE – curso de capacitação profissional para atuação pedagógica em Educação Ambiental realizado mediante parceria da SEDUMA com a Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal.

2. Justificativa

Este Projeto foi realizado em função da necessidade de construir junto à comunidade residente do Condomínio Mestre D’Armas um nível de consciência ambiental capaz de transformá-la em ator social importante no processo de elaboração de políticas públicas sustentáveis para o bairro e, sobretudo, fazer com que se elaborem de forma participativa DIRETRIZES PEDAGÓGICAS para um programa sistemático de EDUCAÇÃO AMBIENTAL nas duas unidades de ensino localizadas em seu território.

Os problemas socioambientais do Condomínio são visíveis e exigem cuidados urgentes. A comunidade ainda utiliza o sistema de fossas, boa parte das pessoas ainda faz uso de cisternas ou poços artesianos como alternativa de consumo de água e o sistema de esgotamento sanitário foi iniciado em 2006 pelo GDF, mas a obra permanece inconclusa sem beneficiar os moradores.

O Condomínio, como toda periferia em metrópole em franco crescimento demográfico como Brasília, carece de infra-estrutura urbana. Poucos são os equipamentos públicos comunitários, não há estrutura de lazer e esporte para a comunidade, não há asfalto, a coleta de lixo ocorre em sistema precário, o córrego Mestre D’Armas vem sendo progressivamente poluído... E tudo isso, somado à falta de planejamento urbano e gestão ambiental, contribui para o aumento dos níveis de vulnerabilidade ambiental da comunidade no entorno da ESEC – AE.

Desenvolver projetos como este de OPINIÃO PÚBLICA que realizamos é fator preponderante não só como diagnóstico das condições socioambientais da comunidade, mas como parâmetro necessário à tomada de iniciativas governamentais e por parte das escolas ali situadas no sentido de buscarem, por meio de parcerias institucionais, o melhoramento da qualidade de vida ambiental para os moradores.

3. Objetivos

a) – Gerais:

• Despertar a comunidade residente no Condomínio Mestre d’Armas para a promoção de projetos pedagógicos de Educação Ambiental e políticas públicas de desenvolvimento local integrado sustentável que possibilitem a criação de uma consciência conservacionista na área em questão.

• Fazer com que a comunidade e as escolas do Condomínio valorizem o patrimônio natural da ESEC – AE como um bem também da comunidade.

b) – Específicos:

• Reunir informações preliminares por meio dos questionários de opinião pública cujos resultados possibilitem à construção de debates sobre a inclusão de um PROJETO PEDAGÓGICO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL que formule, discuta e execute um projeto de AGENDA 21 LOCAL no ano letivo de 2008 no Condomínio tendo como referencial de ação a unidade de ensino onde estudam os filhos dos moradores do bairro.

• Envolver a participação de alunos, pais, direção, funcionários e professores da unidade de ensino na discussão de propostas ecopedagógicas voltadas para a abordagem local da realidade vivenciada pelos alunos do Condomínio.

4. Público – Alvo

• Moradores do Condomínio Residencial MESTRE D’ARMAS.

5. Metodologia baseada nas exigências do Projeto “Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião – NEPSO”, do INSTITUTO PAULO MONTENEGRO (IPM).

• Uso de vídeos com enfoque socioambiental para debates entre os professores e alunos do Projeto de Pesquisa de Opinião Pública.

• Uso de textos sobre AGENDA 21 LOCAL, entre outros, com o fim de preparar os alunos para a elaboração e aplicação dos questionários de opinião pública.

• Uso de questionários semi-estruturados com a identificação do Perfil dos Respondentes e questões envolvendo temas-problema na relação homem-meio ambiente no Condomínio Mestre D’Armas.

• Visitas de reconhecimento do bairro monitoradas em várias ruas do Condomínio pelos alunos do Projeto SUPERAÇÃO JOVEM sob supervisão dos professores – coordenadores do Projeto.

• Visita de campo monitorada dos alunos supracitados à ESEC – AE.

• Uso de fotografias para montagem do Painel de Imagens das situações-problema encontradas durante a pesquisa de campo e de opinião pública.

• Tabulação dos dados constantes dos questionários com posterior montagem de PORTFÓLIO.

• Montagem de stand’s para apresentação dos resultados da pesquisa de opinião pública pelos alunos durante congresso local organizado sob coordenação do Programa de Educação Ambiental da ESEC – AE.

6. Cronograma de Execução em 2007:

• Abril e maio: discussão teórica sobre temas-problema identificados como possíveis alvos de um projeto de Agenda 21 Local.

• Junho e 1ª quinzena de julho: Visitas monitoradas.

• Agosto: Elaboração dos questionários de opinião pública.

• Setembro: Aplicação dos questionários.

• Outubro: Tabulação dos questionários e análise dos resultados.

• Novembro: divulgação da pesquisa de opinião pública.

7. Análise dos Resultados da Pesquisa de Opinião Pública referente ao projeto “AGENDA 21 MESTRE D’ARMAS – 2008”

Com o fim de diagnosticar possíveis problemas socioambientais e, a partir deles, construir perspectivas de abordagem ecopedagógica com o fim de montar em 2008 um projeto de Agenda 21 na escola, vinte cinco alunos do Centro de Ensino Fundamental Pompílio Marques de Sousa (CEF Pompílio), que já participam do Projeto Superação Jovem, parceria desta unidade de ensino com o Instituto Airton Sena, saíram a campo para realizar a pesquisa de OPINIÃO PÚBLICA integrante do NEPS0 – Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião – promoção do Instituto Paulo Montenegro (IPM). Sob supervisão dos professores Xiko Mendes, Francisco Messias e Eila, foram aplicados cem questionários, sendo vinte em cada uma de cinco ruas escolhidas no bairro. Para melhor refletir o universo pesquisado, fizeram parte da amostragem quatro ruas laterais e uma rua central.

O NEPSO constatou que a maioria dos moradores respondentes reside no Condomínio Mestre d’Armas há mais de dez anos, pertence ao sexo feminino, tem entre 26 e 40 anos, e ensino fundamental incompleto. Tal fato reflete a existência de uma comunidade periférica cujos chefes de família deslocam-se, diariamente, para mercado de trabalho fora do bairro não acompanhando de perto a rotina de seus problemas. Mostra também que é uma população que aspira o exercício de cidadania sustentável com a garantia de direitos como acesso à educação já que poucos têm curso superior, por exemplo.

A comunidade mestredarmense tem plena consciência de que o bairro onde moram é parte do Bioma Cerrado. Porém, o NEPSO identificou um problema fundamental para o entendimento dos problemas socioambientais da área: a maioria não soube responder, com precisão geográfica, a qual bacia hidrográfica pertence as águas do córrego Mestre d’Armas, que dá nome ao Condomínio. Por estar localizado na região das Águas Emendadas, zona de recarga hídrica que conflui nascentes para as bacias do São Francisco, Prata e Tocantins-Araguia, a população se dividiu em atribuir aos rios Paranã, Maranhão e São Bartolomeu o destino das águas do lugar onde moram. Como a BACIA HIDROGRÁFICA é considerada pela Lei das Águas como unidade de planejamento nas políticas públicas sobre o tema, saber que as águas do bairro deslocam para o São Bartolomeu é indispensável.

A população também mostrou-se dividida quando perguntada sobre que relação estabelece com a Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESEC – AE), que fica próxima ao bairro. Parte dos moradores não a conhece porque nunca foi lá, outra parte já visitou ou MANIFESTA INTERESSE EM CONHECÊ-LA e outros 25% não sabem do que se trata. A divisão praticamente igual de opiniões sobre esta unidade de conservação é pressuposto essencial para que as escolas da área trabalhem em parceria e com a ESEC – AE na realização de projetos de educação ambiental, vitais para a boa convivência da comunidade com o meio ambiente ali preservado.

Para a população, o MAIOR PROBLEMA DO CONDOMÍNIO MESTRE D’ARMAS na relação do povo com o meio ambiente é a falta de saneamento básico com cuidados ambientais. Embora a maioria declarou que as fossas de residência sejam forradas nos lados com manilha ou tijolos, o NEPSO identificou que a reivindicação prioritária dos moradores não é, contraditoriamente, a implantação do sistema de rede de esgoto já instalado, mas ainda sem funcionamento, e, sim, a pavimentação asfáltica do bairro.

Esses dados revelam, por um lado, a vontade dos moradores em ter um bairro com infra-estrutura urbana quando citam o asfalto que, entretanto, impermeabiliza o solo. Mas ao mesmo tempo apontam preocupações ecológicas importantes com os impactos ambientais de saneamento sem gestão ambiental sobre a Microbacia Córrego Mestre d’Armas. Ao se preocuparem com a poluição do subsolo urbano do bairro, os moradores também afirmaram que o lixo seco ou molhado, na maioria dos domicílios, não é separado em sacos diferentes, mas é todo transportado para fora do lote.

Mais de 75% dos entrevistados ignoram se as duas escolas públicas existentes no bairro desenvolvem algum tipo de debate que focalize os problemas socioambientais do Condomínio. Essas escolas e os moradores são responsabilizados pela falta desses debates não obstante parte deles ter respondido que a comunidade não reivindica a realização desses debates. Cerca de 75% deles, igualmente, acham que se a comunidade do bairro for chamada pelas escolas para debater o assunto, a PARTICIPAÇÃO POPULAR ESTARÁ GARANTIDA.

Essa informação de que os moradores manifestarão interesse de participar dentro da escola de debates sobre temas socioambientais é elemento prioritário para a discussão, elaboração e execução de ações de educação ambiental voltadas para a realização de um projeto de AGENDA 21 LOCAL no bairro. O NEPSO constatou que apesar de 45% não saber o conceito de agenda 21, metade dos entrevistados tem interesse em saber o que é ou já possui vaga idéia do que seja um projeto dessa natureza.

Essa pesquisa de opinião pública sinaliza, principalmente, para a unidade de ensino em questão, a necessidade de construir de forma coletiva um PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO onde a concepção de educação buscada para os alunos moradores do bairro não seja em absoluto dissociada dos PRINCÍPIOS DE SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL e ECONÔMICO-CULTURAL do povo ali residente.

Discutir o uso e ocupação do solo urbano, os efeitos físico-químicos do lixo e a possibilidade de um projeto de coleta seletiva, debater os problemas decorrentes da falta de saneamento ambiental, o assoreamento e poluição do Córrego Mestre D’Armas, a definição de áreas verdes e de lazer nas quadras, o ajardinamento de espaços de convivência dentro das escolas, a arborização de ruas e quintais, reforçar a valorização de uma relação harmoniosa entre a comunidade do Condomínio e a Estação Ecológica de Águas Emendadas, conhecer os impactos ambientais do crescimento urbano desordenado em área de risco ambiental com elevado índice de vulnerabilidade como é o caso em questão... são várias, entras tantas outras, questões vitais a serem obrigatoriamente incluídas em um PROJETO DE AGENDA 21 LOCAL como experiência positiva vivenciada e direcionada para um Modelo de Desenvolvimento Local Integrado Sustentável em microestruturas comunitárias como esta que foi objeto da presente pesquisa.

Espera-se que os resultados desta pesquisa façam parte do banco de dados do CEF POMPÍLIO como eixo norteador de futuros debates orientados para a montagem da AGENDA 21 como projeto pedagógico de educação ambiental com amplo alcance social neste bairro onde a unidade de ensino está localizada. Espremido entre o leito do córrego Mestre D’Armas, duas rodovias e a Estação de Águas Emendadas, o bairro tem, felizmente, sua expansão urbana limitada pela falta de espaço físico, o que por um lado parece positivo, mas, por outro, aumenta a pressão antrópica sobre os recursos ambientais existentes. Daí a necessidade de transformar a comunidade residente em parceira de projetos que promovam a consciência ecológica por meio de ações educativas que instiguem a vivência de práticas sustentáveis na relação entre homem e natureza. A escola tem a responsabilidade de construir este debate.

HISTÓRIA DO VALE DO RIO URUCUIA EM MINAS GERAIS.

Rio Urucuia, filho do Velho Chico

“O URUCUIA vem dos montões oestes. [...]. O GERAIS corre em volta. Esses Gerais são sem tamanho. [...]. [...]. Viemos pelo URUCUIA. [...]. O chapadão – onde tanto boi berra. Daí, os GERAIS, com o capim verdeado. Ali é que vaqueiro brama, com suas boiadas espatifadas. [...] Vaqueiros todos vaquejando. O gado esbravaçava [...]. O URUCUIA não é o meio do Mundo?”. (Guimarães Rosa: 1988, 1, 59, 428).

Prof. Xiko Mendes
(da ACAMIA PLANALTINENSE DE ETRAS, Academia de Letras do Noroeste de Minas, em Paracatu, da Academia de Letras e Artes do Planalto, em Luziãnia-Go, e da Associação Nacional de Escritores, em Brasília-DF).


I – LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA:

A Bacia hidrográfica do rio Urucuia nasce na Serra Geral de Goiás, fronteira desse Estado com Minas Gerais. Suas águas vão deslizando entre morros e chapadões, no sentido oeste-leste até chegar ao rio São Francisco (Velho Chico). Os córregos que formam suas nascentes estão nos municípios de Formosa e Cabeceiras, em Goiás, e Buritis – MG. Geologicamente, a maioria dos tipos de solo dessa bacia é parte da Formação Urucuia, que apresenta idade variável entre 80 e 50 milhões de anos.


São onze os MUNICÍPIOS PERTENCENTES À BACIA DO URUCUIA: além de Buritis e Cabeceiras, Formoso, Arinos, Chapada Gaúcha, Pintópolis, Uruana de Minas, Urucuia, Riachinho, Bonfinópolis de Minas e São Romão.

Localizada na margem esquerda do rio São Francisco – o rio dos currais, da integração nacional e do encontro e desencontro entre mineradores e pecuaristas – a bacia hidrográfica em questão também é integrante do AQÜÍFERO URUCUIA. Trata-se de um grande reservatório de águas subterrâneas que ainda dispõe de pouquíssimos estudos hidrogeológicos e por isto é pouco conhecido inclusive entre os próprios municípios que ele abrange.

Este aqüífero ocupa uma extensão de 500 Km. Sua área de abrangência começa no Alto Urucuia onde estão os rios formadores desta bacia como o Piratinga e o São Domingos.

“...na Literatura, o Aqüífero Urucuia foi sempre descrito como entidade de potencial exploratório restrito ao se considerar: condição morfológica de tabuleiros elevados, arenitos com fina granulometria e espessuras restritas das camadas” (BONFIM & GOMES, acesso no site www.cprm.gov.b/rehi/congresso/aqüífero-urucuia.pdf dia 31/12/05).


Estão dentro do Aqüífero Urucuia quase toda a Bacia do Urucuia (MG), toda a Bacia do Carinhanha, as nascentes do rio Corrente (goiano, integrante da Bacia do Paranã), o Sudeste de Tocantins, alguns municípios do extremo sul do Maranhão e Piauí, e principalmente todo o território do Oeste da Bahia onde se encontra 75% da área de abrangência totalizando 120 mil Km2. O aqüífero tem em média 400 metros de profundidade chegando a 1.500 M na área sul de abrangência, ou seja, no Alto Urucuia onde estão os rios de Formoso, Arinos e Buritis. Os poços perfurados chegam a ter uma vazão de 400m3/h variando de 10 a 12m3/h/m. Os ciclos de produção agrícola insustentáveis se forem mantidos com o uso de fertilizantes e agrotóxicos comprometerá a existência desse aqüífero, pois ao contrário das águas superficiais (as do leito do rio) que se decantam em menos tempo, as do subsolo, por seu deslocamento lento, são ainda mais suscetíveis à poluição ambiental.

II – FORMAÇÃO HISTÓRICA

A história do URUCUIA – este grande vale afluente da margem esquerda do rio São Francisco – está diretamente vinculada à colonização do Centro-oeste do Brasil e do Norte de Minas. Com a descoberta de ouro em Minas Gerais em 1694, cresceu progressivamente a penetração de garimpeiros, tropeiros, pecuaristas e aventureiros de toda espécie para o Sertão, sobretudo após a descoberta também do ouro em Goiás e Mato Grosso nas décadas de 1720/1730. Esse fluxo de pessoas e mercadorias transformou o Vale do Urucuia em trevo de contatos entre as regiões mineradoras do Centro-oeste e os Currais do São Francisco, zona de criação de gado que ia do norte de Minas à região Nordeste. Essas relações comerciais, políticas, culturais e até familiares se intensificaram com a oficialização, em 1736, por D. João V, da Estrada Real Picada da Bahia (MENDES: 2002, 139-144).


Essa estrada ligava Salvador-BA, então Capital do Brasil, a Vila Bela da Santíssima Trindade, então Capital do Mato Grosso, na fronteira do nosso país com a Bolívia, num percurso de aproximadamente 2.630 Km que atravessava o centro da Bahia, além de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. O Vale do Urucuia era o ponto de encontro ou interseção dos vários caminhos ou picadas dessa estrada real por meio do Registro Fiscal de Santa Maria do Paranã na fronteira entre Formoso e Flores de Goiás, e do Registro Fiscal da Lagoa Feia, na divisa Formosa-GO/Buritis, ambos instalados também em 1736. Esses postos de fiscalização serviam para administrar o recolhimento de impostos reais e para controle do tráfego evitando o contrabando.

Paralelamente à descoberta de ouro, a expansão da pecuária nordestina pelo rio São Francisco e seus afluentes como o Urucuia se consolidou a partir da década de 1690 quando alcançou o Norte-Noroeste de Minas passando pelo Oeste da Bahia até chegar em Goiás, no Vão do Paranã. Da Bahia os pecuaristas da Casa da Torre (família Garcia d’Ávila) e da Casa da Ponte (família Guedes de Brito), de Goiás a Casa de Grijó (família Cerqueira Brandão) no Paranã e do Norte-Noroeste de Minas os pecuaristas da família CARDOSO se tornaram co-responsáveis pelo intercâmbio entre o comércio de ouro e o de gado. O Urucuia, por causa disto, se tornou região de grande movimentação rodoviária e econômica do Brasil-Colônia e até inaugurar Brasília e desativar essa estrada real com a construção da rodovia BR-O20 (ARAÚJO: 2007, 69).

É dentro desse contexto que se deu a ocupação do Vale do Urucuia a partir do Norte de Minas por meio das cidades de São Romão, existente desde os anos 1690 e transformada em cidade em 1719, e a partir de Paracatu após a descoberta de ouro nesse município oficializada em 1744. Contratado para auxiliar o capitão do mato Domingos Jorge Velho no combate aos índios Cariris, no Ceará, e aos negros quilombolas de Palmares, em Alagoas, o Tenente-Coronel MATIAS CARDOSO DE ALMEIDA e dois membros de sua parentela desceram o rio São Francisco no início dos anos 1690, provenientes de São Paulo, e no retorno se fixaram no Norte de Minas com a instalação de fazendas e fundando cidades como São Romão, Januária e Montes Claros, dentre outras. O URUCUIA SE TORNOU PROPRIEDADE DOS CARDOSO.

Com o fim da Conjuração do São Francisco em 1736, iniciada em São Romão contra a derrama (cobrança de impostos atrasados), o território de Arinos, Buritis, Chapada Gaúcha e Formoso, entre outros nas proximidades, passou a ser colonizado de fato por MATIAS CARDOSO DE OLIVEIRA, filho do Tenente e bandeirante Januário. Daí em diante e também por causa dessa estrada real cujos caminhos margeavam rios afluentes do Velho Chico como o Urucuia, apareceram outros colonizadores que se fixarão como fundadores desses municípios na segunda metade do século XVIII. Antes dessa época, a ocupação se deu por meio da fixação de currais com a criação de gado (v. VASCONCELOS: 1974).

Embora alguns bandeirantes como André Fernandes em 1613 e Lourenço Castanho Tacques em 1670 tenham cruzado o VALE DO URUCUIA, há que se afirmar com certeza que a fixação de moradores nos territórios desses municípios se deu efetivamente após o descoberto de ouro em Paracatu nos anos 1730/40. O trânsito constante de aventureiros pela Picada da Bahia e outras estradas reais como a Picada de Goiás (BERTRAN: 1994, 144-145) que ligava o Litoral (RJ e SP) com o Centro-Oeste passando por Paracatu facilitou essa fixação e a expansão de fazendas e população dentro do VALE DO URUCUIA dando origem às cidades atuais localizadas no entorno do PARQUE NACIONAL GRANDE SERTÃO VEREDAS.

Quando da primeira edição do romance de Guimarães Rosa em maio de 1956, o URUCUIA era “povoado” por sertanejos vaqueiros, cavaleiros e tropeiros, tocadores de grandes boiadas porque a pecuária era a principal atividade econômica da região. Após a inauguração de Brasília – DF em 1960 a pecuária foi substituída pelo AGRONEGÓCIO, pois os municípios da região, infelizmente, é parte da fronteira agrícola que se alarga a partir do Centro-oeste destruindo o Sertão (CERRADO), que G. Rosa conheceu.

É esse Urucuia pecuarista, tropeiro e boiadeiro que é retratado como parte significativa do enredo da obra GRANDE SERTÃO: VEREDAS. Hoje, tantas décadas depois, numa das cidades desse sertão urucuiano ou dos Gerais é realizado o ENCONTRO DOS POVOS do Grande Sertão Veredas. É um evento festivo anualmente feito em Chapada Gaúcha-MG desde 2002. E “nesses encontros, além de diferentes apresentações culturais que valorizam as TRADIÇÕES das cidades localizadas no Entorno do Parna-GSV, são também realizados seminários sobre CULTURAIS TRADICIONAIS e Meio Ambiente” (ARAÚJO, 2007: 111). Esse ENCONTRO se propõe como fim essencial apresentar para os turistas os Gerais e quem é o GERALISTA ou BAIANEIRO cuja cultura híbrida é resultado da mistura de valores culturais do norte-noroeste de Minas com a cultura nordestina, sobretudo da Bahia (COSTA, 2003).

III – MARCOS HISTÓRICOS FUNDADORES DE ALGUMAS CIDADES DO VALE DO URUCUIA

3.1: ARINOS – MG

Na barra do Ribeirão das Areias com o rio Urucuia surgiu Morrinhos cuja colonização se iniciou no final do século XVIII ou início do XIX como um porto de aventureiros do sertão. Tornou-se distrito de Paracatu em 23/10/1830 ou 12/3/1846; e a capela Nossa Senhora da Conceição por determinação da Lei Provincial 472 de 31/5 de 1850 virou sede da Paróquia antes localizada em Buritis. O Coronel FRANCISCO PEREIRA DE ARAÚJO, o Sr. JOÃO PORFÍRIO, os irmãos SEBASTIÃO e PEDRO CORDEIRO VALADARES, descendentes de Joaquina do Pompéu, e o Alferes FRANCISCO JOSÉ FERNANDES CAPANEMA E SILVA (Chico Pitangui) se tornaram pioneiros do processo de colonização ao longo da segunda metade do século XIX quando MORRINHOS entrou em decadência e um novo porto aparece no rio Urucuia: o de BARRA DA VACA, que se torna povoação em franco crescimento.

Com a Lei Estadual 843 de 1923 Morrinhos deixa de ser sede distrital. Barra da Vaca se torna sede do Distrito com a denominação de Arinos, que é desanexado do Município de Paracatu e anexado ao de São Romão. Com a Lei Estadual 2.764 de 1962, Arinos é elevado à categoria de Município cuja instalação se deu em 1º/3/63.

3.2: BURITIS – MG

O território foi colonizado a partir de um porto instalado nas ribeiras do Urucuia pelas irmãs goianas LUIZA e JOAQUINA ALDONSO. São pioneiros dessa colonização os fazendeiros FRANCISCO ÁLVARES DE CARVALHO e JOÃO PEREIRA SARMENTO que, respectivamente, registraram sesmarias em 1739 e em 1749. Chamado de Porto de Santana do Buriti, ali foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Pena em 20/11 de 1805 a quem foi subordinada as capelas dos atuais municípios de Arinos e Formoso. Há controvérsias quanto à criação do distrito: 31/5 de 1815 ou em 1850. Mas na Divisão Administrativa do Estado em 1911, já era registrada a existência do Distrito de Buritis dentro do Município de Paracatu.

A Lei Estadual 843 de 7/9 de 1923 anexou o Distrito de Buritis ao município de São Romão, e o Decreto-Lei 1.058 de 31/12 de 1943, anexou-o ao Município de Unaí. Buritis tornou-se Município através da Lei Estadual 2.764 de 30/12 de 1962 e foi instalado dia 1º/3/63.

Dentro do Município de Buritis há o Distrito de SERRA BONITA. Primitivamente chamado de São João do Pinduca, foi elevado à categoria de distrito do município de São Romão pela Lei Estadual nº: 843 de 7/9 de 1923 com a denominação de JOANÓPOLIS. Em 1943 foi renomeado para SERRA BONITA, e anexado ao recém-criado município de Unaí. Com a emancipação de Buritis em 1963, Serra Bonita passou a ser um de seus distritos.

3.3: FORMOSO – MG

O território foi colonizado pelas famílias de FELIPE TAVARES DOS SANTOS e BRÁS ANTÔNIO ORNELAS nas últimas décadas do século XVIII. Já em 1778 a Fazenda do Formoso tinha sua existência registrada em roteiro de viagem de D. Luiz da Cunha Menezes que, nomeado Governador de Goiás, chegou a esta capitania passando pela Estrada Real Picada da Bahia. A proximidade do Registro Fiscal de Santa Maria instalado por D. João V em 1736 também facilitou esta fixação de pessoas com comunidades rurais incorporadas ao município de Paracatu-MG em 1800.

Formoso passou a existir como núcleo urbano entre as décadas de 1830/40 e foi elevado à categoria de Distrito de Paracatu pela Lei Provincial 1.713 de 5/10 de 1870. Foi transferido como distrito para o Município de São Romão por força da Lei Estadual 843 de 1923. Formoso tornou-se Município instalado em 1º/3/63 após ter sua emancipação aprovada pela Lei Estadual 2.764 de 1962.

3.4: SÃO ROMÃO:

Essa quase tricentenária cidade mineira é a matriz fundadora de toda a colonização do Norte de Minas no Vale do São Francisco cujo povoamento, como vimos, remonta a década de 1690.

Segundo Waldemar de Almeida Barbosa (1971:472-473), São Romão foi elevada à categoria de JULGADO DO SÃO FRANCISCO em 1719. Perdeu sua autonomia e foi incorporado a Paracatu a partir de sua emancipação em 1798. Tornou-se freguesia eclesiástica por determinação do bispo de Pernambuco em 16 de agosto de 1804.

Por meio da Resolução da Assembléia Geral de 13 de outubro de 1831 foi elevada à categoria de Município sob a denominação de VILA RISONHA DE SÃO ROMÃO. Sua autonomia municipal foi cancelada pela Lei Provincial 1.755 de 30 de março de 1871, e seu território foi incorporado como distrito do recém-criado município de São Francisco.

Finalmente, a Lei Estadual 843 de 7 de setembro de 1923, foi recriado em definitivo o município de São Romão.

Apesar de hoje ser uma cidade sem importância econômica e política na beira do Velho Chico, no século XVIII São Romão foi um grande centro comercial fazendo o intercâmbio entre o Nordeste do Brasil e a mineração do Centro-oeste (Goiás e Mato Grosso).

IV – CONCLUSÃO

O Urucuia de Guimarães Rosa, o Urucuia dos tropeiros e dos garimpeiros, o Urucuia dos bandeirantes e pecuaristas é hoje o Urucuia que sobrevive no Entorno de Brasília, a utopia pós-modernista de Juscelino Kubitscheck que trouxe progresso para a nossa região, mas ainda não conseguiu promover o desenvolvimento sustentável para os urucuianos.

O Urucuia dos sonhadores é também o Urucuia do PARQUE NACIONAL GRANDE SERTÃO VEREDAS, em Formoso, Arinos e Chapada Gaúcha; é o Urucuia do PARQUE ESTADUAL SERRA DAS ARARAS; é esse Urucuia que insiste na convivência inevitável entre a ocupação desordenada do Cerrado e de nossas cidades ao lado do compromisso em preservar meio ambiente, sua história, suas tradições, saberes, usos e costumes.

Parabéns ao URUCUIA a todos nós, os URUCUIANOS! Parabéns a todos aqueles que lutam por esse Urucuia legendário que encantou Guimarães Rosa e encanta todos os apaixonados pelo Brasil Profundo, o Brasil do sertão.

V – REFERÊNCIAS

• ARAÚJO, Sandra (Org.). Antônio Dó de Volta ao Grande Sertão Veredas, Bsb/Chapada Gaúcha-MG: Unifam/Prefeitura Municipal, 2007.
• BARBOSA, Waldemar de A. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais, Belo Horizonte: Itatiaia, 1971.
• BERTRAN, Paulo. História da Terra e do Homem no Planalto Central, Brasília: Solo, 1994.
• BONFIN, Luiz Fernando Costa; GOMES, Raimundo A. Dias. Aqüífero Urucuia – Geometria e Espessura: Idéias para Discussão; In: www.cprm.gov.br/rehi/congresso/aqüifero-urucuia.pdf; artigo científico com oito páginas. Acesso dia 31/12/05.
• COSTA, João Batista de Almeida. Mineiros e Baianeiros: Englobamento, Exclusão e Resistência, Tese de Doutorado, PPGAS, Brasília: Unb, 2003.
• DRUMMOND, Josina Nunes. As Dobras do Sertão, São Paulo: AnnaBlume, 2008.
• JACINTO, Andréa Borghi. Afluentes de Memória: Itinerários, Taperas e Histórias no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Dissertação de Mestrado, Departamento de Antropologia, Campinas-Sp: IFCH/Unicamp, 1998.
• MARTINS, Saul. Antônio Dó, 3ª Ed., Bh: SESC-MG, 1997.
• MENDES, Xiko. Formoso de Minas no final do Século XX – 130 Anos!, Formoso-MG: Prefeitura Municipal, 2002.
– O Mito da Interiorização através de Brasília, Brasília: Asefe, 1995.
– Eco-história Local: Formoso em Sala de Aula, Formoso-MG: Unifam/Prefeitura Municipal, 2007.
– O Centenário de Guimarães Rosa no Entorno do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Brasília: Unifam, 2008.
• ROSA, Guimarães. Grande Sertão: Veredas, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988a.
– Noites do Sertão, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988b.
– Literatura Comentada, 3ª Ed., Rio de Janeiro: Nova Cultural, 1990.
• SARAIVA, Regina C. F. Sertão, Cerrado e Identidades, In: Oralidade e Outras Linguagens, Ano IV, Nº: 15, Brasília: CEAM/UnB, dezembro de 2004.
• VASCONCELOS, Diogo de. História Média de Minas Gerais, 4ª Ed., Bh: Itatiaia, 1974.